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Educação | 12 de dezembro de 2018
Análise de sistemas: o que faz e quanto ganha quem se forma no curso tecnológico mais procurado do Brasil
Carreira foi a que teve maior número de inscritos no Sisu 2018 entre os chamados 'cursos tecnológicos', que tem entre 2 e 3 anos de duração.
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Análise de sistemas: o que faz e quanto ganha quem se forma no curso tecnológico mais procurado do Brasil

O curso superior de “análise e desenvolvimento de sistemas” é o mais procurado do Brasil entre as chamadas graduações tecnológicas, que são aquelas que têm período de formação menor – normalmente entre dois e três anos.

No Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2018, o curso ficou em primeiro lugar no número de inscritos, seguido de “gestão pública”, “alimentos”, “gestão ambiental”, “gestão de turismo”, “radiologia” e “logística”. Apesar do tempo mais curto de formação, os tecnológicos são cursos de graduação plena como quaisquer outros cursos de licenciatura ou bacharelado. Seus diplomas têm validade nacional.

Objetivos do curso

A graduação em análise de sistemas tem como objetivo formar um profissional que possa atuar em todo o ciclo de desenvolvimento da ideia. A primeira etapa é cumprida pelo analista: ele vai interagir com o cliente e entender as necessidades de uma empresa. Ela está com um problema na organização do estoque? A venda online de produtos está apresentando falhas na hora do pagamento? Cabe a esse profissional pensar em um programa de computador (ou um software, como também é chamado) que resolva essas questões.

“A solução pode estar no desenvolvimento de um aplicativo de celular ou de um sistema operacional de notebook. Os níveis de complexidade variam: vão da simplicidade de um sistema de catraca, que organize a entrada dos funcionários, até um software que controle o tráfego aéreo”, explica Ana Cristina dos Santos, professora e coordenadora do curso na Faculdade Impacta, em São Paulo.

Depois que o analista compreende quais são as necessidades do projeto, chega a vez de a ideia ser concretizada. O programador vai desenvolver o sistema, pensar na codificação dele, na linguagem a ser usada – para depois fazer diversos testes.

“É um dos cursos mais procurados nas faculdades porque possibilita que o profissional trabalhe em diferentes áreas. Tanto na de programação, mais ligada ao desenvolvimento do programa, como na parte de análise, que é focada na relação com o cliente. Ambas são tarefas relevantes no processo”, diz Ana Cristina.

A formação em análise e desenvolvimento de sistemas pode também ser combinada com outras capacitações. “Ela serve como base para áreas como a de infraestrutura, criptomoeda, segurança na Internet. É como se fosse o ABC da tecnologia”, explica Renato Trindade, gerente da Page Personnel, consultoria de recrutamento de profissionais técnicos e de suporte à gestão.

Como está o mercado?

Luciano Souza, coordenador do curso na Universidade Paulista (Unip), explica que o mercado em análise e desenvolvimento de sistemas é um dos mais amplos do Brasil. “Ano a ano, ele vem crescendo. Existe uma demanda muito grande nessa área, porque qualquer empresa precisa de um profissional com essa formação”, diz.

Ana Cristina, da Faculdade Impacta, concorda. “Qualquer companhia que tenha algum processo automatizado necessita de um funcionário assim – seja para a manutenção dos sistemas já existentes ou para a construção de um programa novo”, afirma. “Em geral, os estudantes têm facilidade para conseguir estágio logo no fim do primeiro semestre do curso. Arrumam emprego rapidamente.”

Segundo o catálogo de cursos superiores de tecnologia do Ministério da Educação (MEC), atualizado em 2016, o campo de atuação inclui:

  • empresas de planejamento, desenvolvimento de projetos, assistência técnica e consultoria;
  • empresas de tecnologia;
  • companhias ligadas a serviços, indústria ou comércio;
  • ONGs;
  • órgãos públicos;
  • institutos e centros de pesquisa;
  • instituições de ensino.

Sobre a crise econômica no Brasil, o gerente Renato Trindade afirma que houve um impacto negativo no setor – mas que a recuperação já está sendo sentida. “Estamos em um momento de retomada de contratações. A crise reduziu o corpo de funcionários de tecnologia, especialmente em indústrias. Mas, com a retomada da produção, a demanda volta a crescer”, diz.

Para o futuro, Ana Cristina avalia que as perspectivas são positivas. “Se a gente pensar em indústria 4.0 ou 4ª revolução industrial, as empresas vão precisar cada vez mais de profissionais que auxiliem na automatização de processos”, prevê.

Quanto ganha?

Um levantamento da consultoria Revelo calcula o panorama de salários nas áreas de tecnologia em 2018, com base em 1.700 empresas e 200.000 candidatos. A remuneração média nacional de um desenvolvedor é de R$ 6.452,00 por mês. Quem trabalha em business inteligence (área em que os dados são usados para a gestão do negócio de uma empresa) ganha na faixa de R$ 6.240,00.

Segundo a pesquisa, um desenvolvedor começa recebendo cerca de R$ 5 mil no primeiro ano de formado. Após seis anos ou mais na empresa, o salário sobe para R$ 8,2 mil. É claro que há variáveis – como o porte da empresa ou o cargo ocupado. O estudo aponta que empresas grandes tendem a pagar até 15,9% da média do mercado para desenvolvedores – enquanto as pequenas podem oferecer remunerações 0,8% menores.

O gerente Renato Trindade conta que há especialistas em cibersegurança, por exemplo, que têm menos de 30 anos e recebem salários superiores a R$ 30 mil. “São profissionais que se atualizaram, estudaram, são cobiçados no mercado. É difícil achar alguém com esse perfil que esteja disponível. Então o custo de tirar uma pessoa assim de uma empresa e trazer para a sua é alto”, relata.

Qual o perfil?

Os especialistas entrevistados pelo G1 recomendam que os estudantes tenham as seguintes características para ter satisfação e bom desempenho em análise e desenvolvimento de sistemas:

  • gostar de matemática e de exatas. Há poucos cálculos em relação a cursos como engenharia ou ciências da computação, mas é preciso ter bom raciocínio lógico;
  • preocupar-se em atingir boa qualidade dos produtos;
  • ter raciocínio lógico e rápido, para resolver problemas;
  • esforçar-se para aprender inglês. Não é obrigatório, mas dominar o idioma possibilita que o aluno tenha acesso a mais pesquisas;
  • dominar o português. O profissional vai precisar enviar relatórios e e-mails com frequência;
  • ter boa capacidade de trabalhar em equipe. Ao contrário do que se pensa, ser programador não é ficar sozinho em frente ao computador.

Fonte: G1

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