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Educação | 07 de março de 2019
Desafios do ensino superior privado
Captar e manter alunos se mostra uma realidade desafiadora no cenário atual.
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Desafios do ensino superior privado

Por Mozart Neves Ramos – Diretor do Instituto Ayrton Senna e membro do Conselho Nacional de Educação

De 2007 para 2017, o número de alunos matriculados no ensino superior passou de 5,3 milhões para 8,3 milhões. Esse crescimento de 3 milhões de alunos concentrou-se, especialmente, no setor privado, que saiu de 3,9 milhões de matrículas em 2007 para 6,2 milhões em 2017, ao passo que o setor público cresceu de 1,3 milhão para 2,1 milhões nesse mesmo período. Atualmente, o setor privado responde por 75,3% das matrículas. Não há dúvidas de que o grande indutor desse crescimento foi o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). De 2013 para 2014, período em que o programa atingiu seu ápice, o salto foi de 500 mil matrículas. Contudo, de 2014 para cá, em função de o programa ter se mostrado insustentável para o Ministério da Educação (MEC), o Fies vem minguando a cada ano. Em 2014, o número de contratos novos foi de 691 mil, enquanto que em 2017 esse volume caiu para 171 mil.

Na faixa etária de 18 a 24 anos, o Brasil tem apenas 19% de alunos matriculados no ensino superior. É um percentual muito baixo, quando comparado a países vizinhos, como Argentina, Chile e Uruguai. De acordo com a meta 12 do Plano Nacional de Educação (PNE), o país precisaria alcançar 33% dos jovens em 2024, o que certamente não irá conseguir, por conta da redução do Fies e do baixo crescimento da economia brasileira. O ensino superior privado começa a acusar o golpe: nos últimos três anos, o número de matrículas também vem registrando queda.

Para manter alunos e buscar novos, o setor está sendo bastante agressivo na redução dos preços praticado, e o desafio será consolidar um modelo de financiamento híbrido para o ensino superior privado: aluno + instituição de ensino banco governo. Até aqui, o modelo não tem se mostrado eficiente, especialmente quando comparado aos baixos juros praticados no modelo Fies.

Uma consequência tem sido a maior procura por cursos a distância (EaD), que são relativamente mais baratos do que aqueles presenciais. Em média, o ticket aluno/mês do EaD é de R$ 280,00, enquanto que o presencial (excluindo medicina, curso que possui preços mais elevados) é de R$ 780,00. Entretanto, a meu ver, a tendência será de cursos híbridos, que combinam disciplinas presenciais com disciplinas a distância. Nesse sentido, a portaria nº 1.428, de 28/12/2018 do MEC foi bastante oportuna e dispõe sobre a oferta, por Instituições de Ensino Superior – IES, de disciplinas na modalidade a distância em cursos de graduação presencial. Entre outras disposições, a portaria amplia de 20% para 40% o limite de disciplinas EaD para cursos de graduação presencial, desde que também atendidos alguns requisitos.

O MEC aponta para uma mudança no sistema de avaliação do ensino superior, pois o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) não responde aos atuais desafios de qualidade. Adicionalmente, há um esforço, de algumas poucas instituições de ensino superior privado, de promover a internacionalização de suas atividades, na perspectiva de promover avanços inovadores nos currículos de seus cursos e na formação docente. Entretanto, o momento exigirá, mais do que nunca, visão estratégica e modelo de governança capazes de prover uma gestão por resultados.

Vem de Sergipe, mais precisamente da Universidade Tiradentes (Unit), uma experiência avançada no campo da avaliação, ao ter se submetido ao modelo de avaliação internacional das universidades europeias. Isso requer planejamento e investimento na pós-graduação stricto sensu. Concluída a avaliação – que durou cerca de um ano -, a Unit agora se prepara para repensar o seu planejamento estratégico. Os tempos atuais serão daqueles que terão coragem de pensar fora da caixa, mas com os pés no chão.

As instituições de ensino superior precisam de se preparar para os impactos que a automação e a inteligência artificial vêm provocando no mundo do trabalho, especialmente no que concerne ao futuro das profissões. Um estudo sobre o futuro do trabalho da consultoria global McKinsey & Company revela que seis em cada 10 trabalhos podem ter mais de 30% de suas atividades automatizadas. No cenário mais modesto, isso poderá impactar, até 2030, a atividade laboral de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é de que o efeito da automação, sem considerar os impactos da inteligência artificial, atinja cerca de 16 milhões de brasileiros. Será que as universidades estão preparadas para isso? A resposta, infelizmente, é não!

Fonte: Correio Braziliense

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