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Educação | 11 de abril de 2019
Faculdades querem resgatar conexão com os mais jovens
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Faculdades querem resgatar conexão com os mais jovens

As faculdades e universidades, em todo o mundo, têm hoje o grande desafio de resgatar o interesse de estudantes cada vez mais viciados em tecnologia e encantados pelo convívio em universos virtuais. As escolas sabem que as inovações tecnológicas precisam estar mais presentes na sala de aula para que elas se tornem mais atraentes e que, sobretudo, é necessário restabelecer a conexão dos alunos com os professores e as próprias instituições. Um meio de engajar a nova geração tem sido envolvê-los em projetos nos quais eles sintam que estão se preparando para o mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, contribuindo para a transformação da sociedade.

Esses foram alguns dos principais tópicos discutidos na 10ª edição da conferência “Reinventing Higher Education” (Reinventando o Ensino Superior), que aconteceu na semana passada na Universidade Brown, em Providence, nos Estados Unidos. O evento, promovido pela universidade americana e pela espanhola IE, abordou este ano o tema “Building the Human Capital of Tomorrow: a Global Responsability” (Construindo o Capital Humano do Futuro: uma responsabilidade global) e reuniu 35 palestrantes entre reitores e especialistas de 20 países, representando cinco continentes.

“Acho que temos o desafio de ensinar os nossos professores a ensinarem os nossos alunos a aprender como aprender”, diz Jean Chambaz, presidente da Universidade Sorbonne, na França. A abundância de informações hoje, segundo ele, cria a necessidade de se desenvolver o pensamento crítico dos estudantes. “Temos que ajudálos a ter mais autonomia para discutir os assuntos, a ser responsáveis socialmente e não deixá-los assistindo passivamente a uma aula”, afirma. Para ele, a relação entre mestre e aluno tem que mudar e a tecnologia permeia essa mudança. “O estudante às vezes confia mais na Wikipedia do que no que está ouvindo do professor, o papel de quem ensina precisa ser outro.”

Os Moocs, cursos on-line gratuitos ou com preços mais acessíveis, que surgiram em 2008, atualmente oferecidos por boa parte das grandes universidades do mundo, são vistos pelos reitores como complementares ao ensino universitário tradicional e não como uma ameaça. “Eles expandiram e não há como negar que são uma fonte com alto potencial de aprendizado, mas eles não substituem o convívio em um mesmo espaço e a argumentação que surge em uma sala de aula”, afirma Christina Paxson, presidente da Universidade Brown.

Santiago Iñiguez, presidente da Universidade IE, acredita que os Moocs criaram a oportunidade de personalizar a educação disponibilizando cursos de assuntos específicos e abrindo caminho para o aluno construir uma trilha de conhecimento. Ele também acredita que eles não substituem a experiência interpessoal e não estão acessíveis a todo mundo. “Na África, por exemplo, o acesso à banda larga ainda é um problema para os cursos on-line”, diz.

O MIT, uma das instituições de ensino pioneiras na criação de cursos on-line gratuitos, aproveita o poder de atração dessa plataforma para conquistar alunos para o curso presencial, segundo a vice-presidente de pesquisa, Maria Zuber. “Convidamos os estudantes com melhor desempenho nos Moocs para virem ao campus e terem uma experiência real conosco”, explica. Dessa forma, ela diz que a escola consegue descobrir talentos que estavam escondidos em diferentes partes do mundo. “A internet funciona como um filtro para podermos chegar até eles.”

Para Alison Lewis, reitora da faculdade de engenharia e meio ambiente da Universidade Cape Town, da África do Sul, o futuro do ensino superior passa pela flexibilização dos modelos de ensino tradicional e on-line. “Os alunos já na graduação precisam ser preparados para o ‘ensino para a vida toda'”, afirma. O ensino, segundo ela, agora é direcionado também pelos estudantes e não apenas pelas instituições.

A reitora da Universidade del Pacífico, do Peru, Elsa del Castillo Mory, diz que os alunos querem aprender com a experiência, ver a viabilidade das suas ideias. Ela cita o exemplo de um projeto que um grupo de estudantes da graduação criou há dois anos para medir o “humor” da própria escola. “É uma plataforma que indica o índice de estresse dos alunos semanalmente, baseados na avaliação deles sobre os professores, os exames, o ambiente, entre outros fatores”, explica. A ferramenta já foi usada por 80% dos 5 mil estudantes e, segundo Elsa, passou a oferecer insights importantes que estão influenciando o próprio modelo de negócios da instituição.

“A tecnologia oferece um espaço importante para que as escolas possam experimentar coisas novas” diz Ahamad Hasnah, presidente da Universidade Hamad Bin Khalifa, do Qatar. Ele diz que há mais oportunidade de inovar, de mexer nos currículos e adaptá-los. “Podemos entender melhor quais habilidades os alunos precisam desenvolver e personalizar o ensino”, afirma. Ele acredita que os estudantes hoje querem fazer as coisas no seu próprio tempo e, se o objetivo é buscar engajamento e renovar o interesse pelo ensino tradicional, é preciso parar de ditar algumas regras.

O presidente da Universidade Koç, da Turquia, Umran Inan, afirma que as faculdades também têm que aprender com os estudantes e estar abertas para ouvir o que eles têm a dizer. Não dá para a academia virar às costas, por exemplo, para as mídias sociais. “Temos que aprender a lidar com as fake news”, diz. Du Peng, vice-presidente da Universidade Renmin, da China diz que as mídias sociais são uma ferramenta importante para a sua escola. “Os alunos vão me perguntar sobre elas, então precisamos entender primeiro o que está acontecendo, não ignorar”, afirma.

Um dos grandes desafios para as escolas é trazer para dentro do currículo questões mundiais que o jovem acompanha e das quais quer participar de alguma forma. Dilly Fung, diretora para educação da London School of Economics (LSE), do Reino Unido, diz que hoje observa um esforço das escolas para incluir as comunidades externas na sala de aula na forma de projetos e pesquisas de campo. “É importante que isso faça parte de exames e esteja nos currículos”, afirma Dilly, que é autora do livro “A Connected Curriculum for Higher Education”, publicado pela editora UCL.

Dilly conta que na LSE os estudantes são incentivados a produzir podcasts e vídeos sobre suas pesquisas sociais, que depois são veiculados nas comunidades relacionadas ao estudo. “É uma forma do estudante expressar a sua identidade e contribui com suas análises”, diz. Ela lembra que os empregadores também estão observando esse movimento.

Nick Van Dam, professor da Universidade IE, que por 30 anos foi Chief Learning Officer da consultoria McKinsey, acredita que diante da perspectiva de que não é possível prever quais serão os empregos disponíveis nos próximos 50 anos, a habilidade que precisa ser desenvolvida para o mercado é a de ser “uma pessoa que faz”, não importa o quê. “O melhor conjunto de competências para o jovem envolve resiliência, agilidade e autoconfiança”, afirma. As companhias vão precisar de pessoas com essa mentalidade que possam ajudar a construir uma cultura corporativa mais sustentável.

“Os empregadores querem pessoas que saibam resolver problemas a partir do desenvolvimento de projetos”, diz Fred Swaniker, fundador da Universidade African Leadership, nas Ilhas Maurício e Ruanda, na África. Ela lembra que o continente africano ainda vai representar a maior força de trabalho do mundo. “Precisamos investir no conhecimento, desenvolver habilidades para os jovens trabalharem em grupo, se comunicarem melhor, aprenderem fazendo, mas, acima de tudo, prepará-los para ter caráter ao lidar com as questões do mundo”.

Fonte: Valor Econômico

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