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Educação | 13 de maio de 2019
Do consenso à prática
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Do consenso à prática

Desde o início do século, o país registrou um aumento significativo em cursos de Pedagogia e Licenciaturas. De 2001 para 2016, as matrículas nas áreas voltadas para a formação de professores cresceram 131%, passando de 659 mil para 1,5 milhão. Este movimento é analisado no livro “Professores do Brasil: Novos cenários de formação”, lançado na semana passada pela Unesco e pela Fundação Carlos Chagas. Na publicação, as pesquisadoras Bernardete Gatti, Elba de Sá Barreto, Marli Eliza de André e Patrícia Cristina de Almeida mostram que a tendência veio acompanhada de mudanças no perfil dos alunos. A partir da resposta de universitários no questionário do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), elas identificam, por exemplo, que estudantes negros ou pardos passaram a ser maioria nesses cursos -a proporção deles cresceu de 36% para 51% entre 2005 e 2014.

São positivas as notícias de que há mais jovens se matriculando em cursos de formação de professores e de que o perfil do magistério está se aproximando ao da população brasileira. Há, porém, muitos pontos de preocupação levantados no livro. Um deles é que o crescimento das matrículas está ocorrendo majoritariamente em cursos a distância. Em 2001, a modalidade era praticamente inexistente no ensino superior, pois representava menos de 1% das matrículas em cursos de licenciatura. Em 2016, este percentual chegou a 42%, impulsionado quase que exclusivamente pelo setor privado.

Especificamente na área de Pedagogia (que forma principalmente professores para a educação infantil e ensino fundamental), os universitários em cursos a distância em instituições particulares já são a maioria (52%). “O viés para oferta desses cursos na modalidade a distância é preocupante, pois as relações diretas com escolas, crianças e adolescentes -como recomendado pelo Conselho Nacional de Educação, gestores e educadores – e o acompanhamento de estágios tornam-se, no mínimo, complicados”, afirmam as autoras.

Outro ponto de atenção que o livro traz é em relação ao capital cultural dos que buscam cursos de Licenciaturas e Pedagogia. No período analisado, houve crescimento dos que vieram do ensino médio público (de 68% para 81%) e a imensa maioria deles (cerca de 70%) tinham pais ou mães que não haviam completado sequer o ensino médio. A democratização no acessoa esses curso sé positiva, mas há estudos que mostram que os candidatos a essas áreas têm pior desempenho no Enem, o que só reforça a necessidade de terem uma formação mais sólida no ensino superior para compensar fragilidades da educação básica.

Em tese, o volume de 1,5 milhão de matriculados nesses cursos seri amais do que suficiente para atender à demanda por vagas nos próximos anos, vis toque o número de docentes trabalhando na educação básica é de 2,2 milhões. No entanto, cerca de metade dos universitários não conclui o curso (percentual que neste caso não destoa de outras carreiras), e, especialmente nas áreas em que há maior déficit de docentes (matemática e ciências da natureza), poucos acabam de fato exercendo a profissão, devido apouca atratividade da carreira.

O livro termina com uma frase do educador português Antônio Nóvoa que resume a incoerência entre discurso e prática neste debate: “Nos dias de hoje, há uma retórica cada vez mais abundante sobre o papel fundamental que os professores serão chamados a desempenhar na construção da ‘sociedade do futuro’ (…) O excesso dos discursos esconde a pobreza das práticas políticas. (…) A inflação retórica tem um efeito desresponsabilizador: o verbo substitui a ação e conforta nosso sentimento de que estamos atentar fazer alguma coisa “.

Por: Antônio Gois, comentarista de O Globo e Canal Futura.

Fonte: O Globo

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