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Educação | 06 de novembro de 2019
Como funciona o programa americano que atrai os melhores alunos para o magistério
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Como funciona o programa americano que atrai os melhores alunos para o magistério

Como convencer os melhores alunos universitários a se tornarem professores? A ONG americana Teach for America apresentou uma resposta há 30 anos. Fundada em 1989, em Nova York, a organização já colocou mais de 60 mil estudantes universitários para dar aulas para mais de 5 milhões de estudantes, que vivem em 52 regiões de baixa renda.

A proposta da entidade é simples: contratar jovens para atuar como professores em escolas públicas de ensino básico, preferencialmente as instaladas em comunidades pobres. Eles cumprem contratos de dois anos, ao final dos quais 84% dos participantes decidem continuar trabalhando com educação. Ou seja, além de suprir uma demanda imediata por profissionais qualificados e motivados em regiões carentes, a instituição forma novos profissionais de ensino.

A ONG surgiu a partir da monografia de conclusão de curso de graduação de Wendy Kopp pela Universidade Princeton. A partir de então, a empreendedora deu início ao Teach for America, que fornece trabalhos remunerados sem exigência de diploma universitário nem experiência como docente – ainda que professores possam concorrer às vagas.

Os escolhidos passam por um curso de iniciação, que inclui não só orientações sobre as aulas como também uma imersão na região de atuação (pode ser uma escola na periferia de Houston ou uma instituição de ensino em áreas rurais da Carolina do Norte). Recebem os mesmos salários dos colegas professores da região, além de um bônus fornecido pela ONG, a ser utilizado exclusivamente para cursos e complementos na formação.

Resultados concretos

Nos Estados Unidos, a iniciativa encontra algumas resistências, em especial dos sindicatos, que alegam que o programa se utiliza de jovens que não têm o devido preparo para lecionar – e acusam o Teach for America de pressionar seus professores a não participarem de greves e manifestações. Mas o projeto apresenta resultados concretos expressivos.

Segundo um estudo realizado pelo Calder Center e pelo American Institutes for Research, os estudantes de Miami que tiveram aulas com os membros do programa receberam o equivalente a três meses extras de instrução em matemática. O Mathematica Policy Research descobriu que os ganhos em capacidade de leitura são equivalentes a cinco semanas a mais de aulas.

Dois estados, o Tennessee e a Carolina do Norte, concluíram que o Teach for America é a melhor fonte de novos professores para suas escolas públicas. E uma análise do Policy Studies Associates constatou que 90% dos diretores de escola que trabalham com professores do programa estão plenamente satisfeitos. Além disso, 87% consideram que o treinamento dos membros do programa é no mínimo equivalente a de seus colegas formados (53%, na verdade, consideram os docentes vindos da ONG mais bem preparados).

Atuação no Brasil

No Brasil, esse tipo de iniciativa poderia funcionar? Afinal, foi apenas a partir dos anos 1990 que o país passou a exigir que os docentes de ensino básico tivessem formação universitária, e ainda assim essa iniciativa não melhorou o desempenho dos alunos. Hoje, como a profissão de professor não é bem remunerada, os piores estudantes do ensino médio estão se tornando professores.

Existe um ramo nacional do Teach for America. Trata-se da ONG Ensina Brasil, que surgiu há três anos e atua em sete cidades, de três regiões (Petrolina e Caruaru, em Pernambuco, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e Cariacica, Serra, Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo). Ao todo, já foram atingidos mais de 42 mil alunos de escolas públicas em regiões vulneráveis. Para atuar como docentes em disciplinas semelhantes à que estão estudando em suas graduações, os participantes recebem uma formação inicial intensiva, de 250 horas.

Durante os dois anos de contrato, recebem outras 1.400 horas de formação, além do acompanhamento de tutores, encontros presenciais mensais e mentoria de profissionais de diversas áreas. Ao final do período, 85% dos participantes continuam atuando no setor educacional, seja como professores ou como gestores e empreendedores.

Alta procura

“Em um país em que apenas 2% dos jovens querem ser professores, já tivemos mais de 23 mil inscrições para apenas 230 vagas em três anos e atuação, o que representa uma concorrência maior do que a do curso de medicina na USP”, afirma o relatório 2018-2019 da ONG.

Em 2017, o primeiro ano de atuação, foram selecionados 50 estudantes entre 3 mil inscritos. Em 2018, foram 70 selecionados para 7 mil inscritos. Em 2019, foram mais de 11 mil inscrições, e 100 selecionados. Entre os aprovados, 80% vem de universidades públicas, 40% são engenheiros, 40% são pretos, pardos e indígenas e metade formam a primeira geração de sua família a ter acesso ao ensino superior.

Fonte: Gazeta do Povo

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