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Educação | 13 de novembro de 2019
Você já ouviu falar na GAIA, a Aliança Global em Aumento da Inteligência?
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Você já ouviu falar na GAIA, a Aliança Global em Aumento da Inteligência?

A tecnologia é constantemente aprimorada pelo anseio da humanidade por superar-se. Podemos perceber isso nas invenções dos meios de transporte e comunicação, na medicina, na alimentação, cujos principais saltos exaltam a conquista de um novo patamar para a humanidade, aproximando-nos da concepção de super-humanos: deslocamento veloz, comunicação a grandes distâncias, onisciência do que acontece em outros lugares, controle de saúde e longevidade, etc…

A inteligência artificial (IA) é um reflexo dessa busca incessante pela transcendência que temos dentro de nós mesmos. Desde o início da humanidade, quando escrevíamos nas cavernas nossas aventuras, buscamos transferir a outros o conhecimento para que pudéssemos, de alguma forma, ter significância na coletividade.

De lá pra cá, surgiram a escrita, os livros, o áudio, a televisão, a internet e, mais recentemente, a inteligência artificial. Este termo foi cunhado em 1956, pelo cientista da computação estadunidense John McCarthy, que o descreve como um sistema computacional capaz de interpretar dados e aprender algo para atingir objetivos específicos. O processo é semelhante ao de um bebê, que apre(e)nde ao ser imerso a certos estímulos, repetidamente.

Por exemplo, para conhecer a imagem de um cachorro, deve-se mostrar ao software muitas e variadas imagens de cachorros: quanto mais imagens, maior será a probabilidade de que o programa consiga diferenciar um cachorro de outro animal. Essa tecnologia é bem aplicada nos carros autômatos, que devem reconhecer ciclistas, pessoas, veículos e obstáculos, bem como sua posição, e calcular seu deslocamento para decidir seu comportamento com segurança.

A IA é também usada ostensivamente pelas Big Nine, termo empregado pela pesquisadora Amy Webb para se referir às gigantes da tecnologia: Google, Microsoft, Amazon, Facebook, IBM, Apple, Baidu, Alibaba, e Tencent. Webb demonstra sua preocupação em permitir que a IA tome decisões que afetem diretamente as pessoas, visto que nem sempre se pode confiar nas intenções de quem a programou.

Todos sabemos que mesmo as pessoas mais bem-intencionadas podem causar inadvertidamente grandes danos. Dentro da tecnologia, e especialmente no que diz respeito à IA, devemos lembrar continuamente de planejar o uso pretendido e o uso indevido não intencional (Amy Webb).

Certamente há perigos consideráveis no uso da IA em qualquer que seja a área, primeiramente, porque nem todos os envolvidos são, por definição, eticamente comprometidos. Some-se a isso o fato de que nem todos os princípios e objetivos desse uso são claros. É recente na história da humanidade a lembrança de que aviões, navios, satélites, foguetes e até mesmo a química, enquanto conceito, foram utilizados para fins bélicos; não há garantias de que seria diferente com a IA.

Em seu livro, Webb propõe, ainda, a organização de um grupo chamado GAIA (Aliança Global em Aumento da Inteligência), composto por docentes, pesquisadores, especialistas em IA, sociólogos, economistas, teóricos em jogos, futuristas e cientistas políticos. Seus membros refletiriam a diversidade socioeconômica, de gênero, étnica, religiosa, política e sexual, cooperando para influenciar e policiar as iniciativas com IA, prevenindo, assim, um apocalipse do tipo Matrix.

Também na área educacional a IA vem sendo aplicada há algum tempo: a plataforma Khan Academy, por exemplo, pode diagnosticar as habilidades e as dificuldades dos seus usuários e traçar automaticamente um roteiro de aprendizagem. Para isso, ela utiliza algoritmos de IA.

Existem inúmeras outras plataformas semelhantes que estão aos poucos alcançando o mercado educacional. Isso não é uma má notícia para os professores, se lembrarmos que, em sua maioria, professores não gostam de corrigir provas. Porém, saber que podemos ser substituídos em algumas de nossas tarefas pode trazer insegurança.

O professor de matemática Cláudio Pinheiro, do Colégio Objetivo Sorocaba, utiliza a Khan Academy paralelamente às suas aulas convencionais e durante atividades de aula híbrida. Seguro, ele acredita não haver plataforma de ensino-aprendizagem que possa substituir o professor. Ao ser interrogado sobre a relação entre professores e IA, ele explica:

Acredito que professores não serão substituíveis, pois em educação é preciso interação humana, ter um olhar socioafetivo e personalizado sobre os alunos. Para mim, as plataformas estarão cada vez mais presentes na sala de aula como ferramenta de trabalho em prol do professor.”

IA no Brasil e na Educação

No Brasil, a inserção da IA ainda é tímida, mas a tecnologia é muito presente nos cursos de Ensino à Distância (EAD). Segundo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 2018, a oferta de vagas em cursos de graduação na modalidade EAD apresentou um aumento de 51% em relação ao ano anterior e foi maior que a oferta de vagas em cursos presenciais. Logicamente, com o aumento das vagas para alunos, seria de se esperar um aumento no número de professores contratados. Porém, ao que parece, o olhar do professor para com o aluno não tem sido valorizado pelas empresas de educação superior como deveria, e há notícias de demissões em massa nas faculdades.

Na área de Educação, alguns resultados podem ser rapidamente notados, principalmente se são negativos. Assim, ainda segundo o Inep, o desempenho dos alunos da modalidade à distância é menor do que nas presenciais. Ao oferecer parte do currículo na modalidade EAD, as faculdades conseguem se manter com um número reduzido de professores, o que melhora o retorno financeiro, porém, colocando em risco a qualidade de seus cursos.

É certo que no ambiente EAD é possível desenvolver diversas competências relacionadas ao mundo digital, mas nem só de digital vive o ser humano. É nas relações pessoais que promovemos melhor a empatia e a cooperação, o autoconhecimento e o cuidado, o trabalho e o projeto de vida. No ambiente escolar, o professor tem a chance de conhecer seus alunos ao criar situações que provocam conflitos cognitivos, tirando-os da zona de conforto e, assim, promovendo seu desenvolvimento. Ou seja, como o professor Cláudio citou, o olhar do professor é essencial para entender as nuances que individualizam cada aluno e decidir qual é a melhor estratégia para sua aprendizagem.

Para que o processo de construção de conhecimento dos educandos seja mais efetivo, é preciso deixar um pouco de lado as aulas expositivas e começar a buscar alternativas que viabilizem a postura proativa e a troca de informações aluno-aluno, aluno-professor e aluno-máquina. As metodologias ativas de aprendizado, por exemplo, envolvem estratégias centradas na horizontalidade das relações, tanto humanas quanto humano-máquina, no desenvolvimento da responsabilidade pessoal e social e na autonomia dos alunos.

Enquanto o objetivo dos engenheiros de computação é aproximar cada vez mais a IA das capacidades humanas, o dos educadores como nós continua sendo o mesmo: utilizar estas tecnologias para nos tornarmos melhores a cada dia. Enquanto for assim, jamais estaremos em perigo.

Texto: Alexsandro Sunaga e Kátia Chiaradia

Alexsandro Sunaga é Licenciado em Física pela UNICAMP e Mestre em Ciências IAG/USP. Coautor do Livro “Ensino Híbrido: Personalização e Tecnologia na Educação”. Kátia Chiaradia, doutora em teoria e história literária pela Unicamp, desenvolve pesquisa de pós-doutorado na Uerj. Juntos, eles desenvolvem oficinas de capacitação docente sobre “Metodologias ativas e multiletramentos na BNCC” e “Jogos analógicos e pensamento computacional na Ed. Infantil”.

Fonte: G1

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