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Educação | 01 de abril de 2020
O protagonismo da ciência scientia imperii decus et tutamen
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O protagonismo da ciência scientia imperii decus et tutamen

Nos últimos dias, a ciência voltou a ter protagonismo. No nosso tempo de vida, nunca havíamos presenciado a proliferação de termos científicos. Passamos a conviver com funções exponenciais, achatamento de curvas, “erre zeros”, testes PCR, supressão e mitigação, horizontalidade e verticalidade. Universidades voltaram ao cenário. Nesta era de onisciência social, cientistas agora têm voz.

No nosso Estado, temos recebido grandes contribuições de nossas universidades para vencermos este grande desafio global, com ampla utilização de soluções propostas em parcerias com empresas, governos locais e hospitais, o que muito nos orgulha.
O fato que levou a esta valorização extemporânea da ciência foi a pandemia de covid-19. E muito deste protagonismo deve-se à popularização das projeções epidemiológicas. Os modelos mais divulgados – hoje – são os modelos desenvolvidos pelo professor Neil Ferguson, que orientam decisões de diversos países, tornando-se conhecidos como “os modelos do Imperial College”.

Para os leigos, modelos epidemiológicos são áridas construções matemáticas. No entanto, esses modelos matemáticos têm sido extremamente úteis, orientando ações estratégicas e políticas nas pandemias recentes de H1N1 e zika, bem como na epidemia de ebola.

Esse conhecimento prévio e os resultados obtidos no enfrentamento a pandemias construíram a credibilidade do grupo de pesquisa de Ferguson, grupo formado anteriormente por Roy Anderson e Robert May, que modelaram a pandemia de aids, entre muitos outros estudos. Antes, por essa universidade, passaram H.G. Wells, o pai da ficção científica, Alexander Fleming, que nos trouxe os antibióticos, e Dennis Gabor, que criou a holografia utilizada em inúmeras aplicações.

Felizmente, as nossas universidades voltaram a ser citadas e a ter protagonismo. Se hoje são essenciais no enfrentamento à pandemia, no passado recente suas pesquisas incrementaram a nossa produção agropecuária, construíram parques tecnológicos e hospitais que hoje são referências no enfrentamento à pandemia.

Finalmente: o título da coluna é lema da universidade inglesa – a ciência protege o império; aqui, a ciência protege o Estado. Como ex-aluno da UFRGS e do Imperial College, percebemos o quanto valorizar a ciência protege a sociedade e nos valoriza como seres humanos.

Fonte: Zero Hora

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