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Educação | 29 de julho de 2020
Devemos retomar as aulas presenciais? Especialistas opinam
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Devemos retomar as aulas presenciais? Especialistas opinam

Estadão ouviu dois especialistas sobre o processo de reabertura das escolas. Em São Paulo, pais poderão decidir se filhos voltarão ou não às instituições de ensino

Os pais poderão decidir se os filhos voltarão ou não para a escola na cidade de São Paulo, segundo resolução que está sendo preparada pelo Conselho Municipal de Educação. A capital paulista está tomando a frente no debate que tem preocupado famílias e instituições públicas e particulares. O Estadão ouviu a opinião de dois especialistas sobre o retorno das aulas. Veja abaixo a resposta deles à seguinte pergunta: devemos retomar as aulas presenciais?Sim

Arthur Fonseca, presidente da Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares)

É uma necessidade educacional e social. Países de todos os continentes que reabriram suas escolas com estratégias adequadas e medidas de controle obtiveram sucesso. No Brasil, o caminho é uma retomada gradual e regional. Um estudo independente solicitado pela Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), em fase de finalização, avaliou os riscos e benefícios, principalmente para educação infantil e ensino fundamental 1. Os principais achados indicam que os ganhos são maiores do que as perdas.

Crianças são menos suscetíveis à covid-19, representando 2% dos casos no mundo. Mesmo que contraiam o vírus, o quadro costuma ser menos agressivo nelas do que nos adultos, o que reduz também as chances de morte. Os maiores riscos, porém, devem-se ao próprio fechamento das escolas, que pode agravar condições psiquiátricas, comprometer a segurança alimentar e aumentar o número de abusos.

As desigualdades sociais serão acentuadas, uma vez que crianças em situação de vulnerabilidade têm menos acesso à educação a distância. Quanto à economia, manter as instituições de ensino fechadas pode agravar a recessão econômica, com prejuízos de até 1% do PIB. Sem reivindicação às escolas privadas, a defesa é pelo segmento escolar como um todo.

Não

Gonzalo Vecina, médico sanitarista e colunista do Estadão

Esta é, sem duvida, uma das questões mais difíceis de responder sobre a pandemia. O isolamento social somente não foi um fiasco maior graças à suspensão das aulas. Foram cerca de 50 a 60 milhões de alunos, professores e trabalhadores da educação que deixaram de circular e portanto de encontrar o vírus.

O sucesso da medida pode ser verificado pela utilização dos prontos-socorros infantis – que estão funcionando com apenas 10% a 15% de sua carga normal para este período do ano. Vocês pais e mães não se lembram de um ano em que correram tão pouco com seus filhos por problemas respiratórios.

Mas para a educação foi um ano perdido. As escolas públicas sofreram muito mais e seus alunos – que em grande parte já estão prejudicados pela sua condição econômica – serão duplamente castigados. Em grande medida tudo isso ocorreu pela inépcia do Estado em oferecer um sistema educacional melhor e por não ter conseguido construir alternativas minimamente viáveis.

Retomar as aulas faltando apenas três meses para o fim do ano criará uma onda de infecções entre as crianças e, pior, se disseminará a epidemia nas casas desses alunos. Será fechar com mais uma irresponsabilidade este difícil episódio da vida brasileira.

Fonte: Portal Terra

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