Nossos serviços
Entre em contato

Capitais e região metropolitana:
4007.2302

Demais cidades:
0800.002.2302

Whatsapp:
4007.2302


Av. Júlio de Castilhos, 44 - Térreo
Porto Alegre - RS - CEP 90030-130 | Como chegar

COPYRIGHT © 2020. Conheça nossa Política de Privacidade.

brivia

Educação | 13 de outubro de 2020
Medos e sonhos dos jovens depois da pandemia
Copiar link
Medos e sonhos dos jovens depois da pandemia

Pesquisa com alunos do ensino médio e universitários mostrou que eles temem que o ensino remoto não tenha sido suficiente

De uma hora para outra, a pandemia do coronavírus exigiu o isolamento social e transformou quarto da casa em sala de aula. A presença física dos professores e dos colegas foi substituída pela interação virtual, no celular ou computador.Agora, depois de mais de seis meses de isolamento, os sonhos de uma boa formação continuam, mas são ameaçados pelo medo de que 9 ensino remoto não foi suficiente. E o que mostrou um estudo da Empresa Júnior da UW (EJUW), em parceria com A Tribuna, feito com mais de 300 jovens do ensino médio e universitário.

Desses jovens, 96% continuaram os estudos de forma remota, seja com a ajuda da escola ou faculdade (86,3%), seja sozinho pela internet (9,6%).

Sobre os medos em relação aos estudos depois da pandemia, quase metade (44,4%) tem receio de não conseguir acompanhar todo o conteúdo já aplicado e o que será estudado. Não conseguir ter uma boa formação também assusta os estudantes (18%).

“Os estudantes têm receio de que não tenham qualidade de conteúdo suficiente na hora de ingressar no mercado de trabalho ou em uma faculdade, além de não conseguir manter o nível de aprendizado”, comenta o coordenador da pesquisa, o professor Fabrício Nunes.

Em relação aos sonhos, alcançar estabilidade financeira (32,3%) e desenvolver habilidades profissionais após formado (29,2%) são a preferência. “Vemos que os sonhos continuam os mesmos. Apesar de parecer que a pandemia está travando a realização deles”, diz o professor.

A terapeuta Renata Costanzo ressalta que o aluno precisa lembrar e entender que uma boa formação não depende exclusivamente dos professores e das aulas, depende de cada um.

“Se o aluno não decidir que quer aprender, ele não vai aprender. O aprendizado depende muito mais do aluno do que qualquer outro elemento ou pessoa”.

Gustavo Boaventura, idealizador do Método Experiências de Aprendizagem Social e Emocional (Base), explicou que a emoção e a motivação são muito importantes para o processo de aprendizagem.

“As pesquisas mostram que as emoções e o processo de aprendizagem andam cada vez mais próximos. Sem emoção, é impossível aprender. O problema parece ser a motivação que esses adolescentes e jovens têm para estudar”.

METODOLOGIA

Pesquisa de outubro

Pesquisa foi elaborada em parceria com a Empresa Júnior da UVV (EJUW). de 4 a 7 de outubro, com preenchimento de formulário pela internet. Participaram da amostra 323 estudantes e universitários do Estado.

A maioria é da Grande Vitória: foram 55% de respondentes de VILA VELHA. 17% de Vitória. 11% de Cariacica e 6.5% da Serra.

SEMPRE EM FRENTE

Dedicação

0 isolamento social se mostrou difícil para todos. Porém, muitos jovens conseguiram se adaptar e agora planejam 0 futuro, mesmo sem saber ao certo como serão as mudanças na universidade e no mercado.

Os universitários Aline Brandão, 18. Rodrigo Timachi, 24. Gabriele Timachi, 20. e Bruno Olm. 19. estão se preparando para 0 futuro e querem realizar grandes sonhos. “Me preocupo hoje se vou ser uma boa profissional. Quero ser a melhor pessoa que puder. Para isso. me dedico muito”, disse Aline.

JUVENTUDE NO ISOLAMENTO

Maioria se sente pressionada

As incertezas no isolamento social e as dificuldades de adaptação ao ensino remoto não fizeram com que os alunos desistissem do ano letivo. Mas, a pesquisa feita pela Empresa Júnior da UW (EJUW), em parceria com A Tribuna, mostrou que 82,3% se sentem pressionados ou ansiosos em relação ao futuro acadêmico. Além disso, grande parte se sente mais desconcentrada (39,4%). Outros 27,6%, mais ansiosos.

“Os resultados mostram que está difícil para esse estudante se concentrar em casa para os estudos. Relacionando a outro dado da pesquisa, vemos que mais de 60% dos entrevistados moram com 3,4 ou 5 pessoas. Acredito que o que está faltando é privacidade no ambiente de estudo. Em casa há várias coisas que distraem”, comenta o coordenador da pesquisa, Fabrício Nunes.

Psicopedagoga, especialista em neuropsicologia educacional e gestão escolar, Jussara Misael avalia que o jovem brasileiro nessa faixa é extremamente cobrado, o que gera pressão e ansiedade.

“A pandemia intensificou essa cobrança, por nos tirar da zona de conforto. Hoje, não temos certeza de como será o amanhã. Incertezas rondam nosso dia a dia, e nossos jovens sentem essa pressão dentro da família”.

Rita Schane, psicopedagoga e supervisora pedagógica do Sistema de Ensino Aprende Brasil, lembra que a insegurança no isolamento social foi para toda a sociedade, principal mente para os jovens que vão prestar vestibulares e Enem.

“A ansiedade dos alunos é reflexo da pandemia. Quem tem de fazer-vestibular e Enem, está inseguro. Os professores estão ensinando e os alunos estão aprendendo, mas de uma forma diferente, um modelo que a gente ainda não conseguiu colher os resultados, se é melhor ou pior”.

Ana Paula Marcon, psicopedagoga e gestora dos anos finais do Colégio Positivo, em Curitiba, destaca que as emoções afetam no processo de ensino e aprendizagem. “Para tentar diminuir um pouco toda essa pressão, é importante tentar manter uma rotina saudável, mesmo que dentro de casa”.

.Se desesperar com a ansiedade e com o futuro incerto não adianta, é o que garante a psicóloga Rubia Passamai Navarro.

“O futuro é incerto para todos. O que está ao nosso alcance é criar oportunidades no presente e se esforçar para fazer o melhor com o que temos à disposição neste momento. Cuidar da saúde mental é muito importante para que essa ansiedade e esse peso não se transformem em transtornos”.

“A pandemia intensificou essa cobrança, por nos tirar da zona de conforto. Os jovens sentem a pressão dentro da família”, Jussara Misael, psicopedagoga.

Lições para a vida em meio ao caos

Em um ano de muitos momentos de decisão para o futuro, além do pré-vestibular. a estudante Nicole Ferraço Perim, de 17 anos. teve de enfrentar a pandemia, e a ansiedade foi quase inevitável.

“0 pré-vestibular em si já é uma pressão enorme, e ainda passar por isso em um momento de pandemia está sendo muito difícil. Devido a essa adaptação, era tudo muito incerto para os alunos, não tínhamos a data do Enem e de outros vestibulares e não sabíamos se voltaria as aulas”.

Mesmo em meio às dificuldades, tirou lições preciosas. “Estava bem insegura, mas depois que consegui me adaptar um pouco comecei a enxergar de outra forma e ver que essa situação de caos é um aprendizado para o meu futuro!”, salientou.

Superando os limites

Flaviane Araújo, de 25 anos. é assistente administrativa e ainda faz Administração e Marketing na Multivix. Conciliar pandemia, estudos e trabalho não foi uma tarefa fácil, mas ela conta que se surpreendeu com o seu crescimento.

“Em meio à situação que estamos vivendo de pandemia, conciliar trabalho e estudos foi bem complicado. As minhas duas graduações exigiram muita mais dedicação. Mas observei nessa situação a oportunidade de testar as minhas capacidades e pude compreender que, com muita força de vontade, sou capaz de conquistar os meus sonhos”, disse.

Dedicação maior

A universitária Thaysla Zampa Parmagnani. de 21 anos. está em seu último período de Nutrição na UnisaJes e tem o sonho de montar seu próprio consultório. Ela conta que. como está no final do curso e já teve as aulas práticas, não se sentiu tão prejudicada com as aulas online e se adaptou bem ao ensino.

“Mas, mesmo assim, me senti um pouco mais ansiosa e indisposta. Me dedico muito porque um dos meus maiores medo em relação à carreira é de não ser uma boa profissional, não conseguir entregar o melhor de mim e o melhor que o paciente merece ter”, disse.

Empenho

Eduarda Layber, 22 anos, está no 8o período de Odontologia na Multivix e disse que no inicio da pandemia se assustou com a mudança de rotina repentina, mas que com o tempo, se adaptou bem.

“Posso dizer que esse período em relação aos meus estudos foi bom para mim. pude manter e até incrementar. Consegui me adaptar bem, dentro do possível. A pandemia não mudou a minha forma de estudar, só me fez intensificar os estudos. E reafirmou meu pensamento de que professores capacitados e alunos dedicados fazem toda a diferença”.

“Maior ganho será não ter educação como era antes”. Afirmação é do especialista George Catunda. Para ele, não deverá haver retrocesso nos avanços obtidos durante a pandemia

O ano letivo em 2020 está entrando na reta final, mas poderá ser lembrado não apenas pelo isolamento social, mas também como o ano em que começou uma revolução nas metodologias de ensino. É o que afirmam especialistas em educação.

Estudiosos acreditam que a pandemia obrigou a um processo de aceleração para a implantação de metodologias de ensino remoto em todo o mundo. Diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), George Bento Catunda acredita que o maior ganho da pandemia para a educação foi esse avanço, que ele afirma não ter retrocesso.

“Maior ganho será não ter a educação como era antes, principalmente quando conseguirmos a adoção completa do ensino híbrido, de não deixar nenhum aluno para trás. O desafio agora é avançar, implantar o ensino individualizado, com a escola se adequando a cada aluno, a cada realidade”, destaca.

A Abed divulgou uma pesquisa sobre as atividades remotas na educação básica em 2020. Dos alunos entrevistados, 72,61% consideram que pioraram as atividades remotas se comparadas às aulas presenciais e, 51,53% dos pais tiveram a mesma opinião.

“Esse momento de ensino remoto foi fundamental e extremamente importante e teve um papel crucial de manter os estudantes na escola. Isso salva futuros”, destaca.

Eduardo Costa Gomes, vice-presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino (Sinepe-ES), diz que a construção de um projeto deve levar em consideração fatores muito mais importantes do que só o conteúdo.

“Se fosse só o conteúdo, qualquer modelo daria certo. A escola não existe por causa de conteúdo, ela existe por causa da sua potência de formação”.

A subsecretária da pasta de Educação do Estado (Sedu), Andréa Guzzo, destaca que a pandemia evidenciou a necessidade da inclusão digital, principalmente na rede pública.

“Há uma necessidade urgente de uma inclusão digital. Acredito que estamos em um momento de mudança, não tem como esquecer que houve a pandemia. A educação já mudou e trouxe outras possibilidades”.

A psicopedagoga Rita Schane acredita que tudo que é novo traz novas possibilidades de aprendizagem.

Aulas presenciais são as favoritas

Educadores dizem que o ensino remoto veio para ficar, mas os alunos ainda preferem as aulas presenciais no cenário pós-pandemia. É o que mostrou o levantamento da Empresa Júnior da UW (EJUW).

Dos entrevistados, 62,1% preferem continuar os estudos no futuro de forma presencial, mesmo a pesquisa apontado que 67% não pretendem voltar às aulas presenciais esse ano ou sem antes ter uma vacina.

Henrique Marcillino, 19 anos, é aluno do curso de Ciências Contábeis da Multivix e disse que se surpreendeu com a adaptação ao ensino remoto. “Achei que teria dificuldades, mas para minha surpresa, tive excelentes resultados e consegui me adaptar”.

Para a psicóloga Rubia Passamai, o resultado vai além da comparação entre o ensino presencial e o ensino remoto. “A flexibilização está ocorrendo antes de ter a solução para o problema. Isso justifica o fato de muitas pessoas, mesmo preferindo as aulas presenciais, não estarem dispostas a voltar a essa rotina”.

Especialista em Avaliação de Sistemas Educacionais, Edebrande Cavalieri, dez que é preciso considerar o contexto da socialidade. “A vida social é muito importante na aprendizagem. Nós aprendemos socialmente”.

Mercado de trabalho vai exigir confiança e autonomia

Os impactos da pandemia na Educação também vão trazer mudanças no mercado de trabalho. De acordo com Licia Assbu, gerente de Recursos Humanos Corporativo da Multivix, confiança e autonomia serão qualidades muito exigidas.

“Essa quantidade de home Office, como acontece hoje, vai exigir autonomia do funcionário e confiança das empresas em seus colaboradores para que o trabalho possa continuar sendo feito. Acredito que ninguém mais volta o que era antes. Muitas lições foram aprendidas e a gente vai levar isso para a vida. Quem está vivenciando isso hoje se dá conta da mudança que estamos passando”.

A psicóloga Martha Zouain destaca que carreira c construção e não se pode desistir dos sonhos. É preciso planejá-los para o sucesso.

“Como em outras crises, essa também passará e o futuro dependerá de muitos dos jovens que não pensam em desistir. Mais do que nunca, é preciso muita dedicação e estudo”.

“Pandemia expôs nossa fragilidade”, diz educador. A necessidade de tecnologias com acesso à internet fez com que a pandemia mostrasse a desigualdade e a fragilidade da educação no País. De acordo com o professor e especialista em Avaliação de Sistemas Educacionais, Edebrande Cavalieri, o isolamento social expôs a fragilidade e vulnerabilidade do sistema educacional.

“O ensino EaD não é a salvação da lavoura e nunca poderá ser substituto do ensino presencial. Para alguns alunos é desesperador enfrentar os desafios das tarefas a serem cumpridas no silêncio de seu quarto, quando tem quarto; pois a maioria das pessoas pobres não possui espaço adequado para estudo. Sentir-se sozinho não é algo bom para a aprendizagem”.

Psicóloga e consultora pedagógica, Fernanda Soutto Mayor diz que é essencial que haja investimento tecnológico aos alunos, principalmente de escolas públicas. “Em um País em que cerca de apenas 70% da população têm esse acesso, o formato remoto não contempla grande parte da população”.

Fonte: A Tribuna
Quero receber conteúdos voltados para:

Entre em contato através do WhatsApp

Entre em contato através do Messenger