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Educação | 09 de novembro de 2020
Paulo Freire e sua contribuição para a educação
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Paulo Freire e sua contribuição para a educação

Série relembra grandes personagens brasileiros que contribuíram (e seguem contribuindo) para a educação

Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Com pensamentos arrebatadores como este, o educador e patrono da educação brasileira Paulo Freire (Paulo Reglus Neves Freire) marcou a história da educação nacional e mundial, e é nosso homenageado da vez no projeto Ser Educação. Freire é pernambucano e um dos mais respeitados intelectuais de todos os tempos da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento pedagogia crítica. Criou a Pedagogia do Oprimido, método de alfabetização de adultos implementado no Brasil e em diversos países no exterior.

Homenagens

Em vida, foi agraciado com o título de Doutor honoris causa por mais de 30 universidades da Europa e da América. É considerado o brasileiro mais homenageado da história, recebendo o prêmio da UNESCO de Educação para a Paz em 1986.

Em 13 de abril de 2012 foi sancionada a Lei nº 12.612, que declara o educador Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira. Segundo uma pesquisa envolvendo estados brasileiros, Paulo Freire é o nome de escola mais comum e, Em todo o mundo, cerca de 350 escolas e instituições, como bibliotecas e universidades, levam o seu nome como forma de homenagem.

Prática Vanguardista

A prática didática de Paulo Freire fundamentava-se na crença de que o educando assimilaria o objeto de estudo fazendo uso de uma prática dialética com a realidade, em contraposição a, por ele denominada, educação bancária, tecnicista e alienante: o educando criaria sua própria educação, fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído; libertando-se de chavões alienantes, o educando seguiria e criaria o rumo do seu aprendizado. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência política.

Autor de Pedagogia do Oprimido, livro que propõe o método de alfabetização dialético, se diferenciou do vanguardismo dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático. Trata-se da terceira obra mais citada em trabalhos acadêmicos da área de humanas em todo o mundo, à frente de clássicos como Vigiar e Punir de Michel Foucault e O Capital de Karl Marx.

No mundo

Nos Estados Unidos, o trabalho de Freire influenciou um movimento denominado matemática radical, que aborda questões de justiça social e pedagogia crítica como componentes de currículos de matemática.

Na África do Sul, as ideias e métodos de Freire foram fundamentais para o Movimento da Consciência Negra (Black Consciousness Movement), associado à Steve Biko, na década de 1970. Há um projeto sobre Paulo Freire na Universidade de KwaZulu-Natal em Pietermaritzburg.

Instituto Paulo Freire

Em 1991, o Instituto Paulo Freire foi criado em São Paulo para ampliar e elaborar as suas teorias da educação popular. O instituto já tem projetos em muitos países e está sediada na Escola de Educação e Estudos de Informação da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), onde arquivos de Freire são mantidos. O diretor é o Dr. Carlos Torres, professor da UCLA e autor de livros freireanos incluindo A praxis educativa de Paulo Freire (1978). Desde a publicação da edição anglófona da obra Pedagogia do Oprimido, Freire alcançou status quase icônico em programas de formação de professores dos Estados Unidos.

Plano Nacional de Alfabetização

Em 1961, o professor tornou-se diretor do Departamento de Extensões Culturais, da Universidade de Recife, o que o permitiu realizar as primeiras experiências mais amplas com alfabetização de adultos, que culminaram na experiência de Angicos. Por viabilizar a alfabetização de jovens e adultos em cerca de 40 horas e com baixos custos, o método desenvolvido por Paulo Freire inspirou o Plano Nacional de Alfabetização, que começou a ser encabeçado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) durante o governo de João Goulart.

A experiência de Angicos causou muita agitação, culminando em uma greve de trabalhadores (em uma obra) que se recusaram a trabalhar enquanto não tivessem seus direitos garantidos, como descanso semanal remunerado e uma jornada de trabalho que respeitasse a jornada estabelecida pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), foi o início para a acusação de comunismo contra o projeto de alfabetização freireano. Empresários e fazendeiros, primeiramente do Rio Grande do Norte, não aceitaram a reivindicação dos trabalhadores, antes analfabetos e agora entendedores de seus direitos.

No cenário político, uma questão era muito pertinente: na época, somente poderia votar quem fosse alfabetizado. O Plano Nacional de Alfabetização poderia levar o letramento a até seis milhões de brasileiros, o que significaria seis milhões de novos eleitores fora das classes dominantes.

Tais fatores foram decisivos para que, em abril de 1964, o Plano Nacional de Alfabetização fosse cancelado. Esses também foram fatores decisivos para a prisão de Paulo Freire e dezenas de outras pessoas, que, como no caso de Freire, também foram exiladas. Paulo Freire passou 70 dias preso e foi exilado. No exílio, foi primeiramente para o Chile, onde coordenou projetos de alfabetização de adultos, pelo Instituto Chileno da Reforma Agrária, por cinco anos. Em 1969, o professor pernambucano foi convidado a lecionar na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Em 1970, foi consultor e coordenador emérito do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), com sede em Genebra, na Suíça.

No retorno ao Brasil, em 1980, Freire fez viagens a mais de 30 países pelo CMI, prestando consultoria educacional e implementando projetos de educação voltados para a alfabetização, para a redução da desigualdade social e para a garantia de direitos. Foi nesse período em que o pensador brasileiro implementou importantes projetos educativos em Guiné-Bissau, Moçambique, Zâmbia e Cabo Verde.

Em 1978, a Lei da Anistia permitiu o retorno de exilados políticos. Em 1980, Freire retornou ao Brasil e passou a lecionar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e na Universidade de Campinas (Unicamp).

Entre 1988 e 1991, Freire foi nomeado secretário de educação do município de São Paulo pela então prefeita, Luiza Erundina, na época filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Ao sair do cargo antes do término da gestão, Mário Sérgio Cortella, então assessor de Freire e mais tarde seu orientando de doutorado na PUC-SP, ocupou o cargo até o ano de 1992.

Em 2 de maio de 1997, Freire faleceu aos 75 anos de idade, em São Paulo, de parada cardíaca.

Fonte: Correio Braziliense

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