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Educação | 19 de novembro de 2020
Quais os efeitos de se formar durante uma crise econômica
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Quais os efeitos de se formar durante uma crise econômica

O ‘Nexo’ reuniu dados e estudos que mostram o impacto de curto e longo prazo em jovens que tentam entrar no mercado de trabalho em períodos de recessão

O mundo vive um momento de grave crise econômica por causa da pandemia do novo coronavírus. No Brasil, mais de 12 milhões de pessoas perderam o emprego de março a agosto e outras tantas tiveram suas fontes de renda reduzidas.

O impacto da crise não é igual para todas as parcelas da população. No mercado brasileiro, por exemplo, os trabalhadores informais – que tipicamente têm rendimentos menores e eram mais de 38 milhões de pessoas no final de 2019 – sofreram mais com a chegada da crise.

Outros grupos que historicamente já têm posição menos favorável no mercado de trabalho também sofreram os piores efeitos da chegada da recessão. É o caso de mulheres e negros, por exemplo, cujas taxas de desemprego e participação no mercado pioraram na pandemia. Foi também o que ocorreu com os jovens. Desemprego e renda: os jovens durante a crise.

Mesmo sem crise econômica, é normal que o desemprego seja mais forte entre os jovens. São pessoas com pouca experiência, menor qualificação e que geralmente ainda tentam se firmar no mercado de trabalho.

No final de 2019, por exemplo, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos no Brasil era de 23,8%. Pessoas com menor escolaridade tendem a ter ainda mais dificuldade no mercado de trabalho. A taxa média de desocupação na população brasileira era de 11%, consideravelmente menor.

Em momentos de forte crise, essa diferença costuma se aprofundar , justamente pela inexperiência e menor qualificação nesse grupo. Dados do FGV Social (Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas) mostram que na crise brasileira da segunda metade da década de 2010, anterior à pandemia, a queda da renda média foi consideravelmente maior entre jovens do que no restante da população – e esse impacto perdurou por mais tempo. Entre o último trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2019, a renda média mensal caiu 3,7% na população brasileira, mas 14,7% entre aqueles de 15 a 29 anos.

4 vezes maior foi a queda da renda média entre jovens na comparação com o restante da população entre o último trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2019.

Em 2020, os efeitos da crise da pandemia são novamente desproporcionais sobre os jovens . É o que mostra um levantamento do jornal Folha de S.Paulo, feito com dados da Pnad Contínua Trimestral (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os números revelam que na série histórica iniciada em 2012, nunca a diferença entre o desemprego dos jovens e a média geral da população foi tão grande como no segundo trimestre de 2020. A taxa de desemprego média da população ficou em 13,3%; entre as pessoas de 18 a 24 anos, foi de 29,7%.

Foi a primeira vez na série que a diferença foi maior que 15 pontos percentuais. A taxa de participação no mercado de trabalho – que mede quantas pessoas que têm idade de trabalhar estão empregadas ou procurando vagas – também caiu mais entre os jovens que em outros grupos.

Os efeitos maiores da crise de 2020 sobre os jovens não são exclusividade do Brasil. Cálculos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostram que em diferentes lugares do mundo as pessoas de 15 a 24 anos foram as mais afetadas pela recessão da pandemia. Mais que isso, elas foram as primeiras a sofrerem os efeitos, respondendo por boa parte das perdas de emprego que ocorreram em fevereiro e março, primeiros meses em que a crise sanitária afetou o mundo de forma mais intensa.

Segundo a OCDE, os jovens são mais propensos a entrar em situação de pobreza quando são afetados por desemprego e perda de renda. Geralmente, tiveram menos oportunidades para poupar nos anos anteriores, e têm menos economias acumuladas para atravessar os momentos de crise.

Muitas vezes, isso acaba se traduzindo em um retorno à casa dos pais , no caso de quem já havia ido morar sozinho. Nos EUA, o número de pessoas de 18 a 29 anos morando com os pais bateu recorde em 2020, ultrapassando 50% pela primeira vez na série histórica iniciada no começo do século 20. A perda de renda também pode afetar os jovens que ajudam a sustentar gerações mais velhas da família.

O quadro da crise em 2020 mostra como a pandemia teve um forte impacto no curto prazo entre a população mais jovem em diferentes lugares do mundo. Pesquisas sobre recessões passadas mostram que os efeitos não devem parar por aí.

Um estudo de economistas de universidades dos EUA e do Canadá publicado em 2012 no American Economic Journal investigou o que acontece com quem se forma na faculdade em momentos de recessão, na comparação com pessoas que conseguiram seus diplomas em momentos de expansão econômica.

Usando dados do mercado de trabalho canadense, a pesquisa mostra que, além das desvantagens iniciais de entrar em um mercado de trabalho fragilizado, formar-se durante uma recessão tende a manter a pessoa com salários menores por até dez anos após a formatura. O custo financeiro é persistente, mas costuma desaparecer após uma década, quando salários de quem se formou na crise chegam ao mesmo nível de quem se formou em momentos de expansão.

Além disso, o azar de conseguir o diploma em um momento ruim da economia pode impactar a trajetória da carreira como um todo: além do salário menor, quem passa por isso tende a começar em empresas menores e a trocar mais de emprego ao longo da carreira.

Outro estudo publicado em 2010 pela economista americana Lisa Kahn, da Universidade Yale, na revista Labour Economics, chegou a conclusões parecidas, mas olhando para números dos EUA. Estudando jovens de 14 a 22 anos entre 1979 e 1989, ela também constatou que conseguir o diploma da faculdade em um momento de crise está relacionado a salários menores no longo prazo.

Em 2019, economistas do Insper publicaram uma pesquisa semelhante sobre o contexto brasileiro. Usando dados dos censos demográficos do IBGE de 1970 até 2010, eles compararam pessoas que entraram no mercado de trabalho em municípios com taxa de desemprego alta e lugares em que o desemprego estava baixo.

As conclusões reforçam a ideia de que entrar no mercado de trabalho em um momento de recessão tem um impacto negativo sobre os rendimentos na carreira no longo prazo. Além disso, o desemprego entre essas pessoas “azaradas” também tende a ser maior no futuro do que entre pessoas que começaram a carreira em um momento de expansão econômica. Os efeitos negativos tendem a ser mais fortes sobre mulheres e negros.

Em 2019, pesquisadores da Universidade Northwestern e da Universidade da Califórnia publicaram um estudo mostrando que os efeitos de longo prazo de entrar no mercado de trabalho em uma recessão podem ir além dos salários. Analisando dados de 4 milhões de americanos ao longo de décadas, eles revelaram que começar a carreira em um momento de crise está relacionado a salários mais baixos por pelo menos 10 anos, e a uma mortalidade mais alta e problemas de saúde.

O estudo conclui que pessoas que se formam em recessões têm taxas de mortalidade maiores na meia idade. Essa mortalidade está relacionada a doenças ligadas a hábitos como tabagismo, alcoolismo e alimentação pouco saudável – o que pode refletir uma “cicatriz” deixada pelo começo de carreira turbulento ou desfavorável. Além disso, essas pessoas têm menor probabilidade de chegar à meia idade casadas e com filhos.

A pesquisa também mostra que os impactos negativos de longo prazo sobre os rendimentos são ainda mais fortes para pessoas que abandonaram os estudos – tanto quem se formou no ensino médio e não fez ensino superior ou quem largou a faculdade antes de conseguir o diploma.

Fonte: NEXO Jornal

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