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Educação | 05 de abril de 2021
A tecnologia veio para ficar, mas nada substitui o professor
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A tecnologia veio para ficar, mas nada substitui o professor

A nova secretária estadual de Educação é professora, PhD em Linguística pela University of California e pós-doutorado em Língua e Cultura pela Escola de Altos Estudos de Paris. Mas a goianiense Raquel Figueiredo Alessandri Teixeira, 74 anos, também aprecia música e é fazendo analogia a uma orquestra que ela assume a pasta em um momento desafiador para professores, alunos e pais.

“Precisamos organizar para funcionarmos como uma orquestra, cada um cumprindo seu papel, em benefício de crianças e jovens que constituirão o futuro”, disse na cerimônia de posse, no meio da semana. Profunda conhecedora da área, ela deixa a direção da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação de São Paulo para coordenar a retomada do ensino presencial no Estado – e resolver todas as demandas que virão junto.

Fundadora e membro do comitê técnico do Todos pela Educação e ex-deputada, a nova secretária chega com perfil conciliador, destacando o papel e a qualificação do magistério estadual e chamando a categoria para construir este novo momento. Defende também a vacinação dos profissionais para garantir a retomada presencial e reconhece que a tecnologia veio para ficar, mas a sala de aula continuará cumprindo papel fundamental.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva que Raquel Teixeira concedeu ao ABC logo depois de assumir a secretaria.

Quais as principais consequências que a Covid está trazendo para a educação?

A doença parou o mundo, impactou a economia, destruiu empregos e vidas e, claro, impactou profundamente a educação. A escola que os alunos e professores encontrarão no retorno é uma escola completamente diferente da que eles deixaram.

Diferente como?

Serão poucos alunos em sala, eles usarão máscara e obedecerão a regras de distanciamento social. As turmas refletirão, nas aprendizagens, as condições de acesso que os alunos tiveram no período de escola fechada. Ou seja, quem teve acesso a equipamentos tecnológicos e internet de qualidade, quem teve um lugar adequado para estudar, o apoio da família e quem tem características pessoais de disciplina e foco, por exemplo, voltará melhor do que um colega que não teve essas mesmas condições. Ainda que diversas ações desenvolvidas pelo governo do Estado, na oferta de tecnologia durante a pandemia, tenham sido exitosas, os resultados alcançados pelas aulas remotas ficam abaixo dos atingidos no ensino presencial. Isso ocorre tanto nos aspectos cognitivos como nos socioemocionais e, portanto, a desigualdade de aprendizagem é real e continuará a ser aprofundada enquanto as escolas permanecerem fechadas.

Quais estratégias que a secretaria tem adotado no sentido de recuperar as lacunas causadas pelo ensino a distância?

A primeira iniciativa será intensificar a busca ativa dos estudantes para garantir todos na escola. Em seguida temos que garantir condições seguras de retorno, seja na infraestrutura das escolas, na existência de EPIs, nos protocolos sanitários, no uso de máscara, álcool gel, distanciamento social, ventilação, acompanhamento de temperatura, entre outros sintomas.

Logo no retorno, faremos uma avaliação diagnóstica para identificarmos as perdas no aprendizado dos estudantes e definirmos os melhores caminhos para a recuperação e reforço das habilidades essenciais. A definição dessas competências e habilidades essenciais, trabalhadas com metodologias ativas apropriadas, será discutida com a rede, para encontrarmos, juntos, os meios para apoiar nossos alunos.

Passado um ano, a rede pública está mais preparada para manter o ensino híbrido, com aulas presenciais e remotas?

A rede estabeleceu uma relação mais confortável e natural com a tecnologia, e este é um legado importante da pandemia. Os professores a entendem como uma ferramenta de apoio importante. Eles se superaram e se reinventaram nesta crise, mas estamos ainda no começo da caminhada.

Tecnologia veio pra ficar?

É certo que a tecnologia veio para ficar na educação e o ensino híbrido vai enriquecer nossas possibilidades de atender demandas individuais dos alunos. A aula invertida, a cooperação, a personalização, os trabalhos coletivos e vários outros instrumentos das metodologias ativas são novos caminhos que se mostram com força, mas ainda precisamos desenvolver habilidades mais específicas que vão além da transposição da aula presencial para a virtual. Muitos já fazem isso, através da gamificação, da robótica, entre outros, mas, reforço, estamos no início de uma caminhada que é desafiadora e estimulante. O governo do Estado fez grandes investimentos na área tecnológica, o que é muito importante, e esse caminho que já está sendo trilhado será ampliado, reforçado. A tecnologia otimiza resultados, mas nada substitui o papel essencial do professor, que deixa de ser o fornecedor das aulas para ser o mediador do processo de aprendizagem do aluno, o dinamizador dos trabalhos de equipe e do convívio na sala de aula.

Com a possibilidade de retorno presencial, qual a perspectiva de vacinação contra a Covid para os professores?

Minha primeira conversa com o governador Eduardo Leite tratou deste, entre outros assuntos. Ele manifestou seu apoio à priorização da vacinação dos professores do Rio Grande do Sul, e segue trabalhando para que o Ministério da Saúde, responsável pelo Plano Nacional de Vacinação, faça essa definição. No início do mês de março, foi encaminhado ofício ao Ministério da Saúde destacando a importância da vacinação dos profissionais da educação.

Nesse contexto de pandemia, como está a implantação, no Estado, do novo formato de ensino médio, baseado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)?

O currículo do Novo Ensino Médio encontra-se no Conselho Estadual de Educação, para análise e aprovação. Terei reunião com o conselho, na próxima semana, para ver o andamento e oferecer minha contribuição. É uma reforma que vai mudar completamente o perfil do ensino médio, tornando-o mais próximo das demandas, necessidades, direitos e sonhos dos estudantes.

O novo ensino médio prevê que os estudantes poderão escolher e se aprofundar naquilo que mais relaciona com seus interesses e talentos. Como a secretaria está pensando a oferta dos itinerários formativos?

O primeiro ano de funcionamento do Novo Ensino Médio é o que chamamos de formação geral básica e é o mesmo para todos os estudantes. É a partir do 2º ano que começam os chamados itinerários formativos, que permitem aprofundamento em áreas de conhecimento, como linguagens, matemática, ciências sociais e ciências humanas, além de um quinto itinerário, de formação profissional, uma grande e bem-vinda novidade. Tenho muitas ideias sobre como oferecer esses itinerários, uma vez que estou vindo de São Paulo, onde essa reforma já está em vigor. Mas não tenho receitas prontas e esse é um assunto a ser discutido com o conselho e a rede.

FONTE: Jornal de Gramado

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