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Educação | 04 de maio de 2021
Ensino superior não supre falta de profissionais de TI no Brasil: como mudar esse quadro?
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Ensino superior não supre falta de profissionais de TI no Brasil: como mudar esse quadro?

Yuri Pinheiro Bernardi tinha 18 anos quando entrou, em 2017, no curso de Ciência da Computação na Universidade de Caxias de Sul (UCS), localizada na Serra gaúcha. A paixão pela informática desde a infância pesou na escolha da carreira.

Mas o que deu firmeza à decisão foi a certeza de empregabilidade na área. Para Bernardi, não adiantava fazer um curso que não lhe garantisse um emprego depois da formatura. “A migração para a tecnologia não para. Isso garante o crescimento do mercado e, consequentemente, demanda por mão de obra”, diz.

Bernardi está corretíssimo. Segundo a Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), o setor não para de crescer. A previsão é criar 421 mil vagas até 2024. São mais de 100 mil novas vagas por ano.

Quando se trata de Tecnologia da Informação (TI), a oferta é tanta que a empregabilidade ocorre bem antes da formatura no ensino superior. Yuri Bernardi, que começou a trabalhar na área no terceiro período do curso, é exemplo disso.

Hoje, aos 22 anos, Bernardi é desenvolvedor na Prediza. A empresa, instalada no Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da UCS (TecnoUCS), coleta e analisa dados de lavouras com ajuda de Inteligência Artificial (IA), municiando agricultores com informações relevantes para a gestão do agronegócio.

A ciência de dados e a IA, aliás, estão entre as áreas que puxam o crescimento do setor de TI. Nos próximos três anos, devem receber investimentos anuais de, respectivamente, R$ 5,5 bilhões e R$ 1,9 bilhão.

Ao todo, conforme a Brasscom, o mercado brasileiro de TI vai investir R$ 90 bilhões por ano até 2024. Em 2019, movimentou R$ 494 bilhões, o equivalente a 6,8% do PIB.

A questão é que faltam profissionais disponíveis para sustentar o crescimento da TI no Brasil. Há um excesso de vagas e escassez de mão de obra qualificada. Estima-se que o déficit anual no setor é de 50 mil profissionais.

Conforme as vagas disponíveis acumulam, o abismo não para de crescer. Tendo em vista a aceleração da transformação digital durante a pandemia, é possível que o gap aumente ainda mais. Será que o ensino superior pode suprir a falta de profissionais de TI no Brasil?

Na sequência desta reportagem, o Desafios da Educação explica como as dinâmicas do mercado de trabalho levaram à ociosidade de vagas. Também ouvimos coordenadores de curso, especialistas do setor e alunos para entender por que as instituições de ensino superior não conseguem formar mais profissionais de TI – e, finalmente, o que poderiam fazer para reverter esse quadro.

A professora Maria de Fátima Webber do Prado Lima é coordenadora dos cursos de TI na UCS. Ela diz que a instituição costuma acompanhar a trajetória profissional dos egressos. Em comum, a constatação óbvia: todos estão empregados .

O feito não é trivial. Uma pesquisa do Valor Econômico e do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), divulgada em abril, apontou que mais da metade (52,1%) dos formados entre o fim de 2019 e de 2020 está fora do mercado . Dos que trabalham, menos da metade atua na área de formação.

Na TI, além da alta empregabilidade, outro fenômeno é cada vez mais comum. “Conforme vão se especializando, os egressos migram de Caxias do Sul para Porto Alegre. Depois, vão para São Paulo. Em seguida, muitos vão para os Estados Unidos, Canadá e Europa.” A significativa perda da mão de obra para o mercado do exterior decorre do salário pago pelas empresas estrangeiras , que chega a ser o dobro da remuneração aplicada aqui.

Um levantamento da revista Você S/A junto ao site global de avaliação do mercado de trabalho Glassdoor apontou que o salário médio de um engenheiro de dados no Brasil é de R$ 8.000. Já um desenvolvedor Python e um programador Java ganham, em média, R$ 4.500 e R$ 3.800 respectivamente.

Além do mais, a adesão em massa ao home office abriu fronteiras digitais. Hoje, um brasileiro pode muito bem trabalhar para uma empresa estrangeira em sua casa no Brasil. E ainda ganhar em dólar.

A caxiense Ester Bacega, 25 anos, espera seguir esse caminho. Prestes a se formar em Ciência da Computação na UCS, ela mora em São Paulo desde 2019. “Sempre pensei em sair do Brasil em algum momento”, conta. Se for o caso, Bacega vai seguir os passos da sua irmã, Juliana Salvadori, que é programadora em uma empresa na Irlanda.

Para descobrir e reter talentos, mas também para superar a escassez de profissionais, empresas brasileiras realizam capacitações por conta própria. A locadora Localiza, o Banco Inter e a construtora MRV, por exemplo, juntaram-se para formar 100 mil pessoas na área de TI ao longo de 2021.

Geralmente, essas captações são voltadas às linguagens de programação – como Python e Java – usadas nos sistemas desenvolvidos pelas empresas. Foi o que inicialmente levou Ester Bacega para a empresa de softwares Promob. Ainda no segundo semestre da faculdade, ela foi selecionada para uma vaga em um projeto chamado Formar, criado pela companhia para treinar profissionais nas linguagens Dataflex e C Sharp.

“É difícil encontrar desenvolvedores, especialmente nas linguagens que a Promob trabalha”, explica Bacega. Após o treinamento, ela foi contratada como estagiária. Menos de um ano depois, foi efetivada como programadora júnior. Hoje, subiu na hierarquia e trabalha como programadora sênior de nível 3. Mesmo antes de se formar.

Investimentos em crescimento, mercado aquecido e concorrência alta por profissionais: o cenário da TI é indiscutivelmente interessante. No entanto, por que instituições de ensino superior (IES) não conseguem formar alunos o suficiente para atender o mercado?

Cabe destacar que não faltam cursos nem alunos em graduações de TI . Conforme dados da consultoria Educa Insights, quase 150 mil estudantes ingressaram em cursos da carreira de TI em 2019. (Aliás, desde 2011, o contingente de ingressantes supera a barreira dos 100 mil todos os anos.)

Em tese, a quantidade é mais que suficiente para preencher as vagas criadas pelo setor.

O problema é que poucos perseveram até o fim da graduação. Nos últimos dez anos, o número anual de formandos em TI nunca passou de 36 mil . Em 2019, último ano do Censo da Educação Superior divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), foram 34,8 mil concluintes.

Maria de Fátima, da UCS, diz que o fenômeno é parecido ao que acontece nos cursos de Engenharia, onde os alunos desistem depois das temidas cadeiras de Cálculo. Na TI, a evasão se acentua a partir de disciplinas como Algoritmos e Programação de Computadores. “Esse é um funil que faz muitos desistirem”, lamenta a coordenadora.

O diretor de negócios da Be Formless, uma empresa especializada em softwares para gestão universitária, formou-se na área de TI em 2002. Fábio Paz lembra que sua turma tinha 80 alunos no início. Depois do primeiro semestre, sobraram 40. Apenas oito finalizaram o curso.

Paz atuou por quase 18 anos como professor na Universidade da Região da Campanha (Urcamp), onde foi vice-reitor. Ele não hesita em colocar boa parte da culpa da evasão nos currículos . “O que faz com que os alunos desistam são os currículos engessados que não unem teoria e prática”, afirma.

Soma-se a isso o fato de a atuação na área de TI não ser regulamentada – portanto, não exige diploma. Enquanto o debate sobre a regulamentação se arrasta no Congresso há pelo menos 40 anos, muitos profissionais assumem um perfil autodidata e buscam conhecimento na internet ou em cursos técnicos de pequena duração.

“As IES precisam mostrar aos alunos que não estão só entregando só um diploma”, destaca Paz. Para ele, o diferencial de um curso superior está na possibilidade de uma abordagem multidisciplinar , no desenvolvimento de habilidades socioemocionais e nas conexões com o mercado de trabalho.

Novas abordagens pedagógicas, como a união entre teoria e prática proposta por Paz, já encontram eco em diversas instituições de ensino, como a própria Urcamp, a UCS e a PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

A universidade paranaense, por exemplo, reestruturou as matrizes curriculares dos cursos de TI em favor de um modelo baseado em competências. Com isso, a PUCPR rompeu antigas barreiras entre os cursos e as disciplinas.

Para promover a interação entre alunos e atender ao perfil multidisciplinar da área, foram criadas disciplinas comuns a todos os cursos de TI. Além disso, as disciplinas ganharam temáticas para que façam sentido na vida pessoal e profissional do estudante.

Antes, disciplinas como arquitetura de computadores, sistemas operacionais e redes eram estudadas separadamente. Hoje, elas têm um eixo comum , sendo abordadas sob a ótica da internet das coisas (IOT). Para se ter ideia, a IOT deve abocanhar um terço (R$ 36 bilhões) dos investimentos anuais da TI até 2024, segundo a Brasscom.

“O aluno não abandonou a teoria. Ele continua estudando hardware, rede e sistemas operacionais, mas dentro de um contexto aplicado a cenários do mundo real , o que facilita a aprendizagem”, ressalta Altair Santin, o professor de Ciência da Computação e Ciber Segurança da PUCPR.

Os trabalhos de conclusão de curso (TCC) também sofreram alterações. Não é mais preciso esperar o fim da graduação para integrar os conhecimentos em uma pesquisa. Agora, os alunos passam por disciplinas certificadoras ao longo do curso , onde desenvolvem projetos para aplicar o que foi estudado em algo concreto.

Algo similar acontece na UCS. Cursos como Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Criação Digital, Jogos Digitais e Redes de Computadores, adotaram projetos de caráter trimestral ou semestral relacionando teoria e prática. “O aluno vive situações que encontrará no mercado de trabalho ao mesmo tempo que aplica os conteúdos estudados “, destaca a coordenadora Fátima.

Para Santin, da PUCPR, o modelo de aprendizagem por projetos e competências tem a vantagem de dar mais nitidez à aprendizagem do aluno. A consciência sobre a própria evolução é especialmente importante porque a evasão em cursos de TI, muitas vezes, pode estar associada ao fato de o estudante achar que não está aprendendo , segundo o professor.

“É necessário que o estudante tenha um papel ativo, experimente mais e tenha mais momentos de feedback. Essa abordagem permite que ele veja resultados palpáveis e saiba do que é capaz. Dessa maneira, ele não vai se sentir desestimulado e não abandonará o curso”, completa.

FONTE: Desafios da Educação

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