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Educação | 22 de junho de 2021
Ser ou não ser: e eis que valor e emoção superam a técnica
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Ser ou não ser: e eis que valor e emoção superam a técnica

“Conhece-te a ti mesmo.” A antiga inscrição que adornava o mais importante centro religioso da Grécia Antiga, o Oráculo de Delfos, poderia também enfeitar escritórios e ambientes corporativos atuais. Essa evocação ao autoconhecimento ecoa uma tendência muito clara do mercado de trabalho: a valorização das competências socioemocionais.

A lógica é simples: enquanto as tecnologias avançadas ocupam cada vez mais as funções técnicas exercidas anteriormente por seres humanos, esses precisam apresentar habilidades que extrapolam o conhecimento técnico. É um cenário no qual ganham importância os valores, as emoções e as reações do indivíduo como elementos fundamentais nos desafios cotidianos. Um estudo de 2018 do Grupo Page provou isso na prática, ao revelar que nove em cada dez profissionais (91%) são contratados pela capacidade técnica, mas demitidos posteriormente por competências comportamentais.

Antenado a isso, o mercado passou a avaliar a inteligência emocional dos profissionais já no momento da contratação.

Atualmente, headhunters e recrutadores valorizam muito mais as competências socioemocionais dos candidatos do que anos atrás.

A edição de 2020 do relatório anual O Futuro do Trabalho, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, aponta que 94% dos líderes de negócios esperam que seus funcionários adquiram, nos próximos anos, competências como pensamento crítico e análise, resolução de problemas, e ainda habilidades de autogestão, como aprendizagem ativa, resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade.

No Brasil, toda a educação básica já está alinhada a esse novo paradigma. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) inclui competências socioemocionais nos conteúdos aplicados em sala de aula desde a educação infantil ao ensino médio.

A ideia é aliar a aquisição de conhecimentos técnicos ao desenvolvimento humano.

Mas quem já saiu da escola ainda tem tempo e opções para se aprofundar nas soft skills. Os cursos de curta duração são um caminho bem eficaz para uma rápida imersão no assunto.

A Escola Design Thinking, fundada em 2012 pelo laboratório de inovação Echos, oferece o curso Design Thinking Experience, que tem como objetivo fornecer uma ampla compreensão sobre os princípios do pensamento criativo do design. “O design thinking facilita a resolução de problemas complexos.

Estimula a criatividade para quem é da área de negócios e visão estratégica para os profissionais criativos”, explica Natália Franzon, que atua na Echos como product design lead.

No programa de aulas, há pesquisa de oportunidades de negócios com base em necessidades humanas, construções de propostas colaborativas com times multidisciplinares, técnicas visuais para sintetizar informações e o desenvolvimento de habilidades que destravam a criatividade.

Pela serenidade. Desenvolver habilidades socioemocionais não é apenas aprender a olhar para si e conseguir enxergar o que anima e agrada, mas também o que abala e entristece.

E, no contexto atual, as mudanças radicais dos modelos de trabalho e os cenários econômicos voláteis e cada vez mais incertos tendem a suscitar exatamente sensações de abatimento e estresse.

No Insper, o curso de curta duração Resiliência na Liderança lida com tais problemas, visando ao estabelecimento da serenidade como base do desenvolvimento profissional. A formação foi justamente criada em 2020, como resposta aos efeitos da pandemia no meio profissional.

“Fatores como o abre-e-fecha das atividades econômicas e a volatilidade dos ambientes de negócios tornou fundamental a valorização da resiliência dos profissionais”, afirma Rodrigo Amantea, coordenador acadêmico de educação executiva no Insper.

No programa, estão temas como compreensão de causas de incerteza, estresse e reveses; análise dos pontos fortes e áreas com potencial de desenvolvimento do profissional; e a reflexão sobre os comportamentos que podem criar resiliência, seja no âmbito individual ou seja ao interagir com outras pessoas. “A incerteza causa estresse. Isso cria um acúmulo de sentimentos negativos que podem culminar em burnout (doença relacionada ao excesso de trabalho). Buscamos entender esses problemas e criar no líder o olhar para evitá- los. Trabalhamos modelos mentais, como fazer gestão da energia para se blindar desses sentimentos e liderar equipes.” Assim se espera um futuro do trabalho mais tecnológico, mais digital e, principalmente, mais humano.

AS 10 COMPETÊNCIAS DESEJADAS

A edição de 2020 do relatório anual O Futuro do Trabalho, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, apontou as dez habilidades e competências essenciais e que devem observar maior demanda em empresas e organizações do Brasil nos próximos cinco anos.

Veja a seguir quais são elas: l Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizagem l Pensamento analítico e inovação lCriatividade, originalidade e iniciativa lLiderança e influência social l Inteligência emocional lPensamento crítico e análise lResolução de problemas complexos l Resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade l Design e programação de tecnologia l Orientação ao serviço.

FONTE: Estadão

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