Nossos serviços
Entre em contato

Capitais e região metropolitana:
4007.2302

Demais cidades:
0800.002.2302

Whatsapp:
4007.2302


Av. Júlio de Castilhos, 44 - Térreo
Porto Alegre - RS - CEP 90030-130 | Como chegar

COPYRIGHT © 2021. Conheça nossa Política de Privacidade.

brivia

Educação | 27 de julho de 2021
Educação financeira nas escolas: o desafio de ensinar sobre dinheiro no Brasil
Copiar link
Educação financeira nas escolas: o desafio de ensinar sobre dinheiro no Brasil

O brasileiro anda pensando muito em dinheiro, talvez porque não tenha muito. De acordo com dados do Serasa, a quantidade de brasileiros com o nome sujo ou com dívidas atrasadas era de 61,4 milhões ao fim de 2020. Já a taxa de desemprego chegou a 14,7% no primeiro trimestre de 2021, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Para piorar, a inflação não para de subir no país. Desde o início do ano, as projeções para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) já aumentaram quatorze vezes. Na última, o mercado subiu de 5,97% para 6,11% a estimativa para a inflação total de 2021, segundo o Boletim Focus.

Aprender a gastar menos nunca foi tão necessário. Mas como ensinar sobre inflação, IPCA e investimentos em um país onde mais de 40% da população adulta tem algum tipo de dificuldade financeira? Para especialistas, a solução é oferecer educação financeira nas escolas.

Educação financeira na BNCC

Em 2020, o Ministério da Educação (MEC) tornou obrigatório o ensino de educação financeira nas escolas. Desde então, as instituições de ensino devem atender às novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A decisão do MEC, no entanto, não transforma o letramento financeiro em um componente curricular a ser estudado, mas sim em um dos temas a serem desenvolvidos dentro da disciplina de Matemática.

De acordo com a BNCC, o ensino fundamental deve oferecer o estudo de conceitos básicos de economia e finanças. Além de temas como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras, rentabilidade, investimentos e impostos. Já os alunos do ensino médio aprendem sobre temas mais complexos, como o sistema monetário nacional e mundial.

Nas escolas de tempo integral, a educação financeira também está disponível no componente “eletivas”. Ou seja, ofertada dentro de uma disciplina optativa.

Mas levar instrução financeira para as escolas envolve uma série de desafios. Eles vão desde a formação de professores, passando pela oferta de material didático adequado e também incluem a garantia de tempo para que os professores se dediquem ao preparo das aulas.

Devido a pandemia, o que era difícil ficou ainda pior. Em abril passado, a Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil) encerrou as atividades. A AEF-Brasil havia sido convocada pelo MEC para disponibilizar materiais e cursos para preparar os professores e, com isso, viabilizar a implementação da educação financeira nas escolas.

Além disso, a associação era responsável por executar a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef), instituída em 2010 com o objetivo de promover ações de ensino financeiro no Brasil.

O que tem sido feito

A situação melhora um pouco quando se olha para os projetos (governamentais e sociais) que existem para atenuar o problema.

O Banco Central começou um programa para incentivar o desenvolvimento de competências financeiras por parte dos estudantes. O Aprender Valor, que está em fase de testes, deve ser implementado em todo o país no segundo semestre do ano. A iniciativa estava sendo desenvolvida no Ceará, Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Pará.

Os projetos têm duração de cinco a dez aulas e podem ser aplicados tanto a distância quanto presencialmente. De acordo com o Banco Central, todas as equipes pedagógicas das escolas e técnicos das secretarias de Educação terão acesso a formação específica sobre finanças.

“Com esse passo muito esperado, abrimos a possibilidade de atingir 22 milhões de estudantes do ensino fundamental de escolas públicas”, afirma o diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, do Banco Central, Mauricio Moura. A ideia é preparar o aluno para lidar melhor com o dinheiro no dia a dia.

Instituto Brasil Solidário (IBS) tem um projeto com o mesmo objetivo. Criador de jogos de tabuleiros que ensinam educação financeira, durante a pandemia o Instituto desenvolveu versões virtuais de jogos que ensinam economia doméstica aos alunos.

O projeto de educação financeira do IBS é oferecido a mais de 650 educadores de 84 cidades. “O acesso a um material dinâmico e de qualidade ainda é escasso para a maior parte das escolas, especialmente as públicas”, disse Luis Salvatore, presidente do IBS, ao jornal Folha de São Paulo.

Alinhado às diretrizes da BNCC, o programa também capacita os professores com aulas sobre empreendedorismo, cidadania e sustentabilidade.

Desigualdade

As avaliações mostram que o Brasil tem muito a avançar. No último relatório do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o país ficou em 17° lugar em um ranking que mede a competência financeira de 20 países.

Mas a dificuldade não é privilégio do país. De acordo com o relatório, existe uma disparidade profunda em todos os países analisados: estudantes com condições socioeconômicas melhores apresentaram ter mais conhecimento sobre finanças pessoais.

O levantamento mostra, ainda, que a escola não é considerada a principal fonte de informação sobre educação financeira. À semelhança de outros países, 90% dos adolescentes brasileiros aprendem sobre dinheiro em casa. Na lista que avalia a exposição dos alunos ao assunto nas escolas o Brasil está em 13°.

Cassia D’Aquino, educadora financeira com especialização em crianças, disse ao jornal Valor Econômico que a falta de acesso à educação financeira nas escolas é um reflexo dos diversos problemas educacionais que existem no ensino básico brasileiro. “Não é uma questão apenas de ter o assunto na escola, mas de ter uma boa escola”, comentou.

FONTE: Desafios da Educação

Quero receber conteúdos voltados para:

Entre em contato através do WhatsApp

Entre em contato através do Messenger