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Educação | 13 de maio de 2022
Apenas 1% dos alunos do último ano do Ensino Médio têm desempenho adequado em matemática, aponta avaliação da Seduc
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Apenas 1% dos alunos do último ano do Ensino Médio têm desempenho adequado em matemática, aponta avaliação da Seduc

Somente 1% dos estudantes matriculados no último ano do Ensino Médio em escolas estaduais do Rio Grande do Sul apresentam desempenho adequado em matemática, conforme dados divulgados pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc) no início deste mês. A grande maioria desses alunos (92%) teve atuação abaixo do básico, enquanto 4% atingiram o nível básico e, 2%, o avançado. Os números são resultado da primeira edição de 2022 do Avaliar é Tri – uma avaliação diagnóstica promovida pela pasta desde o ano passado para analisar as perdas de aprendizagem entre os estudantes gaúchos durante a pandemia e as competências pedagógicas que precisam ser reforçadas.

Entre os dias 11 e 15 de março deste ano, 624 mil alunos de 2.147 escolas estaduais participaram da prova. Estudantes do 2º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 3º ano do Ensino Médio responderam questões de português e de matemática.

Dificuldade é maior no Ensino Médio

Os resultados mostram que as dificuldades na matemática aumentam conforme o avanço da trajetória escolar. No 2º ano do Ensino Fundamental , por exemplo, somente 11% dos alunos apresentaram desempenho abaixo do básico. Já no 3º e no 4º ano, esse número salta para 32% e 49%, respectivamente. Na reta final do Ensino Fundamental, 8º e 9º anos, o grupo já representa a maioria: 71% e 80%.

No 1º ano do Ensino Médio, são 85% dos jovens com atuação abaixo do básico. Outros 10% chegaram ao nível básico, 2% ao adequado e 2% ao avançado. No ano seguinte, também há piora, e os índices passam para 91% abaixo do básico, 5% básico, 1% adequado e 1% avançado, cuja classificação envolve habilidades como resolver problemas com razões trigonométricas no triângulo retângulo.

Em língua portuguesa, os dados também são preocupantes, já que apenas 6% dos alunos de cada série do Ensino Médio apresentam desempenho adequado. Ainda assim, a porcentagem de estudantes com atuação abaixo do básico é menor quando comparada aos resultados na matemática: 57% no 1º ano e 62% nas séries seguintes.

Aulas remotas como obstáculo

Questionada pela reportagem, a Seduc afirmou, em nota, que o impacto ocasionado pela pandemia de covid-19 , com um longo período sem aulas presenciais, contribuiu para acentuação do baixo desempenho dos alunos do Ensino Médio em matemática. Neste cenário, a pasta lançou o Avaliar é Tri e, a partir dos resultados da primeira edição, implementou o Aprende Mais, um programa de recuperação e aceleração da aprendizagem. Com ele, a carga horária de matemática foi ampliada em três horas semanais e, a de língua portuguesa, em duas horas semanais. Além disso, segundo a Seduc, “os educadores foram orientados sobre como trabalhar com os resultados da avaliação diagnóstica de modo a potencializar a recuperação das fragilidades identificadas nos estudantes”.

O texto da pasta também destacou que, para garantir a permanência dos estudantes em sala de aula, evitar a evasão escolar e recuperar as perdas de aprendizagem causadas pela pandemia, tem realizado, desde 2021, uma série de medidas para qualificar a oferta de ensino público gaúcho de forma mais inclusiva e equitativa e capacitar os profissionais envolvidos.

Entre as iniciativas citadas, estão a bolsa Todo Jovem na Escola (auxílio de R$ 150 mensais a alunos creditado no cartão Cidadão) , o Programa Merenda Melhor (aumenta em 166% o repasse da alimentação escolar e garante a oferta de refeições quentes todos os dias da semana) e o Livre para Aprender (repasse de recursos para compra de absorventes higiênicos pelas escolas) .

Problema histórico

Apesar da avaliação do governo do Estado ter como foco os impactos da pandemia na educação, os problemas na aprendizagem da matemática são enfrentados há muitos anos por escolas de todo o Brasil. A última edição do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizada em 2019, mostra que apenas 10,3% dos estudantes brasileiros matriculados no Ensino Médio tiveram aprendizagem adequada na disciplina, somando rede pública e privada. Entretanto, na pública, essa porcentagem baixa para 5,2%, enquanto na privada aumenta de forma expressiva para 41,3%.

– Os desafios na aprendizagem da matemática no Brasil foram aprofundados pela pandemia, mas já tínhamos problemas muito grandes no desempenho dos estudantes. Esses problemas começam logo no início da trajetória escolar, nos primeiros anos do Ensino Fundamental, continuam e se aprofundam conforme os alunos vão passando de série, chegando ao Ensino Médio com indicadores muito críticos – ressalta Gabriel Corrêa, líder de políticas educacionais do Todos pela Educação.

A dificuldade histórica é consequência de uma conjunção de fatores, aponta Corrêa. Entre eles, a falta de apoio da gestão pública ao trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas, a formação oferecida aos professores e o suporte dado às instituições para o ensino da matemática – incluindo materiais e condições estruturais disponibilizadas.

De acordo com o representante do Todos pela Educação, as escolas brasileiras estavam apresentando avanços, especialmente no Ensino Fundamental, antes da pandemia. Mesmo assim, os níveis ainda eram críticos. Com a adoção de um ensino remoto frágil, muitos estudantes ficaram quase dois anos sem evoluir na aprendizagem da matemática. Agora, os níveis estão bem abaixo do que seria esperado para a idade de cada aluno:

– O ensino remoto poderia minimizar as perdas na aprendizagem se fosse adotado com melhor qualidade. Mas muitos estudantes sequer tiveram a oportunidade de aprender, e muitos professores ficaram sem nenhum apoio durante a pandemia. O resultado que temos visto foi uma queda muito grande na aprendizagem dos estudantes e, se nada for feito, isso pode prejudicar toda a trajetória escolar e de vida dessas crianças e jovens.

Rede privada

Ainda conforme os dados do Saeb, no Rio Grande do Sul, 13,5% dos alunos do Ensino Médio, considerando rede pública e privada, apresentaram desempenho adequado em matemática em 2019, índice um pouco acima do nacional, mas abaixo do que foi obtido em 2007 – 14,3%. No ensino privado, a taxa aprendizagem ficou em 45,9%, enquanto na pública foi de 7,5%.

O presidente do Sindicato do Ensino Privado do Rio Grande do Sul ( Sinepe ), Bruno Eizerik, afirma que a entidade fica preocupada com esses dados e que o número nacional demonstra a falta de políticas públicas voltadas à educação. Ele destaca que, na rede privada, quase 50% dos estudantes tiveram aprendizagem adequada em matemática, mas entende que todos os alunos deveriam ser proficientes na disciplina.

– Estamos extremamente preocupados com o Brasil, com o Rio Grande do Sul e com a rede privada também. Não podemos comemorar um resultado muito superior à rede pública, quando o nosso resultado também não é satisfatório. A diferença é grande, mas isso não diminui o problema – comenta Eizerik, ressaltando que, enquanto não houver ações efetivas de Estado, as dificuldades tendem a permanecer.

Medidas para reverter o cenário

Gabriel Corrêa destaca que o principal desafio é combater a evasão escolar, um problema antigo e que piorou após o fechamento prolongado das escolas. Também será preciso cuidar da saúde mental dos estudantes e professores, além de recuperar o que foi perdido. Portanto, é necessário diagnosticar as dificuldades de cada estudante para estruturar programas de reforço e recuperação, que devem atender turmas menores e agrupadas com alunos no mesmo nível de aprendizado.

Apoio e formação para que os professores possam atuar neste novo contexto e avaliações frequentes para identificar se os estudantes estão avançando são medidas importantes no desenvolvimento desses programas. Além disso, é fundamental investir na elevação da carga horária nas instituições de ensino para que cada aluno tenha seu direito de aprender garantido.

– Parte do trabalho das escolas será ensinar no Ensino Médio as competências e habilidades de matemática que os alunos deveriam ter desenvolvido no Ensino Fundamental. Se isso não for feito, esses estudantes serão muito prejudicados e terão suas chances de acesso ao Ensino Superior reduzidas – alerta o líder de políticas educacionais.

FONTE: GZH

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